Vacinação Contra a Gripe: O Que Toda Mãe Precisa Saber
Já faz alguns anos que, mesmo não sendo do grupo de risco, procuro uma clínica para tomar a vacina contra a gripe. No ano em que estava grávida tomei no posto de saúde, e desde então a vacinação contra a gripe virou rotina na nossa família. Se você tem bebê, criança pequena ou está gestante, este guia é para você: vamos explicar quem deve tomar, por que é tão importante, quais vírus a vacina protege e o que esperar após a aplicação.
Gripe x Resfriado: qual é a diferença?
Uma das confusões mais comuns entre as mães é tratar gripe e resfriado como sinônimos. São doenças completamente diferentes, causadas por vírus diferentes, com intensidades diferentes.
O resfriado é causado por uma variedade enorme de vírus — principalmente o rinovírus — e os sintomas costumam ser mais suaves: coriza, espirros, garganta arranhada, às vezes febre baixa. A recuperação geralmente acontece em 5 a 7 dias.
A gripe (Influenza) é causada especificamente pelos vírus do tipo Influenza A, B ou C. Os sintomas são mais intensos e aparecem de forma abrupta: febre alta (acima de 38,5°C), dor de cabeça intensa, dores no corpo, calafrios, cansaço extremo, tosse seca. Em bebês e pessoas do grupo de risco, pode evoluir para complicações graves como pneumonia e hospitalização.
Por isso, a vacina contra a gripe não protege contra o resfriado — ela é específica para os vírus Influenza. Mas isso não diminui a importância de vaciná-los: a gripe pode ser muito mais séria do que um resfriado, especialmente para os pequenos.
Quem deve tomar a vacina contra a gripe
O Ministério da Saúde define anualmente os grupos prioritários que devem ser vacinados gratuitamente na rede pública durante a Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza. Os grupos contemplados incluem:

- Gestantes — em qualquer trimestre da gravidez
- Crianças de 6 meses a menores de 5 anos
- Pessoas com 60 anos ou mais
- Mulheres no período pós-parto (até 45 dias após o parto, se não vacinadas durante a gestação)
- Portadores de doenças crônicas (doenças cardíacas, pulmonares, renais, diabetes, imunossupressão, entre outras)
- Profissionais de saúde
- Povos indígenas
- Professores das redes pública e privada
- Forças de segurança e salvamento
- Pessoas com deficiência
- Pessoas privadas de liberdade e funcionários do sistema prisional
Se você está em algum desses grupos, a vacina está disponível gratuitamente nas Unidades Básicas de Saúde durante o período da campanha. Fora da campanha, a vacina pode ser tomada em clínicas particulares de vacinação ao longo de todo o ano.
Mesmo quem não faz parte dos grupos prioritários pode — e idealmente deveria — se vacinar. A gripe se espalha com facilidade e proteger a si mesmo é também proteger quem está ao seu redor, especialmente os bebês que ainda não têm idade para serem vacinados (menores de 6 meses).
Vacina durante a gestação
A vacinação contra a gripe na gravidez é altamente recomendada e segura em qualquer trimestre. Os benefícios são duplos: a gestante fica protegida durante a gestação — período em que o sistema imunológico funciona de forma diferente e ela fica mais vulnerável a complicações — e o bebê nasce com anticorpos herdados pela mãe.
Essa imunidade passiva transmitida pelo leite materno e pelos anticorpos placentários protege o recém-nascido nos primeiros meses de vida, justamente no período em que ele ainda não tem idade para receber a vacina (antes dos 6 meses). É uma estratégia conhecida como “imunidade do casulo” — a mãe vacinada forma uma barreira protetora ao redor do bebê.
A vacina contra a gripe utilizada nas gestantes é a vacina inativada, ou seja, não contém vírus vivos — é segura para a gestante e para o bebê em desenvolvimento. Não há evidências de risco para o feto em nenhum trimestre.
Vacina para bebês e crianças pequenas
Bebês e crianças menores de 5 anos fazem parte do grupo prioritário para a vacinação contra a gripe, e com razão: nessa faixa etária, a gripe pode evoluir para quadros mais graves, incluindo pneumonia, bronquite e hospitalização.
A vacinação de bebês começa aos 6 meses de idade. Crianças que recebem a vacina contra a gripe pela primeira vez devem tomar duas doses com intervalo de 30 dias entre elas. A partir do segundo ano de vacinação, uma dose anual é suficiente.
Alguns pontos importantes sobre a vacinação infantil:
- A vacina é aplicada no músculo da coxa em bebês e no músculo do braço em crianças maiores
- Pode ser aplicada junto com outras vacinas do calendário infantil
- A dose pode ser menor que a dose do adulto (dose pediátrica) — peça confirmação no posto de saúde
- Crianças com histórico de reação alérgica grave ao ovo de galinha devem ser avaliadas pelo médico antes da vacinação (as vacinas modernas têm concentração muito baixa de proteínas do ovo)
Quais vírus a vacina protege
A cada ano, a Organização Mundial da Saúde (OMS) monitora quais cepas do vírus Influenza estão circulando com mais intensidade no hemisfério sul e recomenda a composição da vacina para aquele ano. O Ministério da Saúde do Brasil adota essa recomendação para formular a vacina distribuída na campanha.
A vacina trivalente — a mais comum — protege contra três subtipos do vírus Influenza:
- Influenza A (H1N1) — o famoso “vírus da gripe suína”
- Influenza A (H3N2)
- Influenza B
Existe também a vacina quadrivalente, que adiciona uma segunda linhagem do Influenza B à proteção. Essa versão é mais comum em clínicas particulares.
A composição exata da vacina muda a cada ano conforme as cepas predominantes. Por isso, a vacinação anual é essencial: a imunidade do ano anterior não protege adequadamente contra as novas cepas que surgem.
Quanto tempo a vacina leva para fazer efeito
A vacina contra a gripe demora cerca de 15 dias para produzir anticorpos em quantidade suficiente para conferir proteção. Isso significa que se você tomar a vacina hoje e se expor ao vírus amanhã, ainda não estará completamente protegido.
Por isso, o ideal é vacinar-se o quanto antes na campanha, antes do pico do inverno. A imunidade que a vacina confere dura em média menos de 12 meses — o que explica a necessidade de repetir a dose todos os anos, mesmo quem tomou no ano anterior.
A eficácia da vacina varia entre 40% e 60% na população geral, dependendo da compatibilidade entre as cepas vacinais e as cepas que efetivamente circulam no inverno. Mesmo que a vacina não impeça completamente a infecção, ela reduz significativamente a gravidade dos sintomas e o risco de hospitalização.
Mitos e verdades sobre a vacina contra gripe

Ainda há muita desinformação sobre a vacina contra a gripe. Vamos desfazer os mitos mais comuns:
Mito: “A vacina pode me dar gripe”
Falso. A vacina contra a gripe usada no Brasil é inativada — ela não contém vírus vivos e não pode causar a doença. O que algumas pessoas experimentam após a vacina (mal-estar leve, dor no braço, febre baixa passageira) é a resposta normal do sistema imunológico à vacina, não a gripe em si. Esses sintomas passam em 1 a 2 dias.
Mito: “Quem tem saúde não precisa da vacina”
Mito parcial. Pessoas saudáveis têm menos risco de complicações, mas ainda assim podem contrair e transmitir a gripe para pessoas vulneráveis do seu convívio — bebês, idosos, imunossuprimidos. A vacinação é também um ato de proteção coletiva.
Mito: “Tomei vacina ano passado, não preciso tomar de novo”
Falso. A imunidade dura menos de 12 meses, e a composição da vacina muda todo ano de acordo com as novas cepas predominantes. A vacinação anual é obrigatória para manter a proteção.
Mito: “A vacina contra gripe protege contra COVID-19”
Falso. A vacina contra a gripe protege especificamente contra os vírus Influenza. Não há proteção cruzada contra o SARS-CoV-2. No entanto, vacinar-se contra a gripe evita que você precise buscar atendimento médico por um quadro que poderia ser confundido com COVID-19, aliviando o sistema de saúde.
Mito: “Gestantes não podem tomar vacina”
Falso. A vacina inativada contra a gripe é segura em qualquer trimestre da gravidez e é recomendada tanto pelo Ministério da Saúde quanto pelas principais sociedades de obstetrícia do Brasil e do mundo.
Onde e quando tomar a vacina
A Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza ocorre anualmente no Brasil, geralmente entre abril e maio — antes do período de outono/inverno, quando os vírus Influenza circulam com mais intensidade. As vacinas são oferecidas gratuitamente nos postos de saúde para os grupos prioritários.
Portadores de doenças crônicas precisam de prescrição médica para receber a vacina nos postos públicos — leve o documento na hora da vacinação.
Para quem não faz parte dos grupos prioritários ou deseja se vacinar fora do período da campanha, a vacina está disponível durante todo o ano em clínicas particulares de vacinação. Nesse caso, há custo, mas a conveniência de escolher o momento mais adequado pode valer.
Acesse o site do Ministério da Saúde para conferir as datas e locais da campanha atual em seu município.
Efeitos colaterais e contraindicações
A vacina contra a gripe é considerada segura, com baixo perfil de eventos adversos. Os efeitos colaterais mais comuns são locais e passageiros:
- Dor, vermelhidão ou inchaço no local da aplicação
- Febre baixa (abaixo de 38°C) nas primeiras 24-48 horas
- Mal-estar ou cansaço leve
Esses efeitos são sinais de que o sistema imunológico está respondendo à vacina — são esperados e passam em 1 a 2 dias.
As principais contraindicações são:
- Reação alérgica grave (anafilaxia) a dose anterior da vacina — contraindicação absoluta
- Febre acima de 38,5°C no dia da vacinação — aguardar a recuperação antes de vacinar
- Alergia grave a proteínas do ovo — avaliar com médico; as vacinas modernas têm concentração muito baixa, mas histórico de anafilaxia a ovo exige precaução
Em caso de dúvida sobre contraindicações, sempre converse com o pediatra ou médico de referência antes da vacinação.
Perguntas frequentes sobre vacinação contra a gripe
A vacina contra gripe imuniza contra resfriado?
Não. O resfriado é causado por outros vírus (principalmente rinovírus), que não são cobertos pela vacina contra a Influenza. A vacina protege especificamente contra os vírus Influenza A e B.
Com que frequência devo tomar a vacina contra a gripe?
Anualmente. A imunidade dura menos de 12 meses e a composição da vacina muda todo ano para cobrir as novas cepas do vírus. Mesmo quem tomou no ano anterior deve repetir a dose.
Meu bebê de 4 meses pode tomar a vacina contra a gripe?
Não. A vacina contra a gripe é indicada a partir dos 6 meses de idade. Para proteger bebês menores de 6 meses, a estratégia é vacinar a mãe durante a gestação (imunidade passiva) e vacinar todos que convivem com o bebê.
É seguro tomar a vacina contra a gripe junto com outras vacinas?
Sim. A vacina contra a gripe pode ser administrada simultaneamente com outras vacinas do calendário infantil e do adulto, em locais de aplicação diferentes. Converse com o profissional de saúde no momento da vacinação.
Quanto tempo antes do inverno devo me vacinar?
O ideal é se vacinar pelo menos 2 semanas antes da chegada do inverno, para que o organismo tenha tempo de produzir anticorpos protetores (a vacina leva cerca de 15 dias para fazer efeito pleno). Por isso, a campanha normalmente ocorre no outono.
Conclusão
A vacinação contra a gripe é uma das medidas preventivas mais eficientes e acessíveis para proteger bebês, crianças, gestantes e toda a família. Para as mães especialmente, é importante entender que vacinar-se durante a gravidez não protege apenas você — protege seu bebê nas primeiras semanas de vida, quando ele ainda não pode receber a vacina.
Se você ou seu filho se enquadram nos grupos prioritários, não perca a campanha anual de vacinação nos postos de saúde. E se não faz parte do grupo de risco, considere a vacinação em clínica particular — é um investimento pequeno na saúde de toda a família.
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